No tempo das multidões escondidas, dos galos anoitecidos, o estranho bate à porta , uma borboleta de violência abstrata bate no vidro, algo a ser lembrado a cheiro, a mãe embala o filho e há no invisível as linhas férreas do pensamento, a trovoada entreabrindo o céu de nome e apeadeiros. A primeira música é o choro natal calando os surdos, a mãe que embala o filho sabe do valor de não ter peso, do colo de um estado atento pelas aves do mundo. as multidões escondidas alastram-se a uma palpitação na pele. O poder dos índios que não se resignam ao silêncio, das sombras e dos dentes dos monstros de infância. Os armários ainda têm portas circulatórias e há esqueletos assustando as noites.


A mãe ainda embala o filho de bandeiras derrubadas sorrindo para a terra e coagulando o estado memorável ,como as meninas que ainda firmam as raízes pelo caminho para a escola na terra que o pai acompanha, e o biberão verte o leite para a plantação sazonal, pedaços de mármore decompõem-se na direção das linhas do rosto para uma habitação soalheira, ela repara no calor das histórias que ainda sopram vestígios e pegadas numa nota musical circular que ultrapassa mortos.

Rute Castro

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