todas as flores descendem os reinos às tuas palavras
mesmo aquelas que no castigo dos habitantes
são massacres junto à crosta
havemos de subir juntas num avião mais seguro
havemos de tocar a fé
cunhá-la por dentro como uma moeda milenar
pagar o mundo com esse sorriso
não é assim que nascem os pássaros?
das datas escritas na areia
que depois ecoam pelas ondas a eternidade.
todos, todos criam o segredo de amachucar na pele a história
e verter a dor ainda com olhos de criança.
o mundo por vezes deixa o colo em terreno arenoso
aqui
o tempo esvai pelo embrião maduro
no pleno fruto da época
e as térmitas usuárias teimam na conquista
de uma boca doce
de um lado claro

assim te assiste o relógio
no horário das bonecas
que nunca cantam canções de meninas
que não sentem o absurdo de limpar as mãos na areia
que nunca sentem medo de se perderem
porque não cabem na palma da mão e não tremem
por um barulho desconhecido

porque do segredo vivificante
as crianças
de corrida rápida até mim
e eu escuto por dentro da terra
a lava no ferver da palavra

combatente da noite
repito que a voz
irá alimentar
com agulhas para soro
a chave de baú antigo
que está no domínio das aves


Rute Castro