o julgamento é a vida arejada por toda a toxicidade
e a bagagem interior espera o dia nesta localidade
no segundo arranjado para a refeição.
tenho em mim apenas o brusco que dá para o binóculo enegrecido,
que me lê uma história em que refino o escorpião e me mergulho sem saber nadar,
a minha história não tem fim,
também não tem início,
tem horas de segurar as aves no choro, engoli-las por dentro,
um antes e depois muito rápido até não se distinguir o corte dos anos,
terrível a espécie das coisa sem nome.
os seios alimentam a grande vista 
com a solidão de todos em transfusão.
tenho o estrondo do acordar das alvoradas,
e vocês explicam-me, querem explicar-me,
sacudo o mar, terra, barcos
e há a vontade de abraçar
quem arranha as paredes brancas dos dias,
de procurar para sempre a ventoinha na pedra das coisas,
qualquer passeio que déssemos sem pontes caídas
sem respirar de saco por dentro
com a exaustão de cavalo usado até à última queda.
as pedras não respiram
mas eu de isqueiros prontos e fósforos
prometi o lume da lembrança
ambulâncias
socos no peito da vida,
acordar uma lágrima, apenas uma lágrima
que me fizesse entrar em casa à força.


Rute Castro