e salvar-vos na cruz, com a fúria da nova geração :o segundo-rei

com a coroa de espinhos


e a verdade do ápice


 *


 não sei se as avós se preparam para a noite,


se ainda há nas suas peles o monumento a morrer trancado,


 ainda assim a escola poder acabar e eu sentir que os gritos ainda sacodem os anos


como lanternas para alertas nos olhos ,


 é a noite, é a noite a alvorecer, é a noite


 *


 está aquele frio de ver pelos tectos as circunstâncias interiores.


 pentear o cabelo como na tua fotografia.


quando os candeeiros se erguerem em mim


 as minhas palavras abrirão mapas precisos


 até ao tempo dourado pelos teus pés,


mandando a jusante o andar de sandálias esfoladas


 *


 mas o tiro certeiro


 acredita num peito puro



*


 hoje o espelho


 de   faca    atenta ao sorriso


*

 tenho de visitar o sol

 pôr-me a par das horas


 cumprimentar velhos hábitos


 arrumar as camas dos gatos


 deixar a casa entrar


 tirar das veias as palavras


 *


 Começa. 


 Aragem de pulsação fria. Segredos importantes à corrente sanguínea, mortos.


 Arrasta o peso das gárgulas, afastando as paisagens cortantes no frio do inverno.


 Faca com faca . O que ergue. O que ergue primeiro. Braço de força :


 a dança, o vento, a lágrima batendo forte.


 Os bolsos da partida vão cheios da luz em curto-circuito.


*


da periferia:


 aqui irei moribunda de dentes  ao doce da festa.


tenho um mapa a cumprir nas células.





Rute Castro