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as portas por onde passámos são portas que rangem a solidão, que seja em companhia.
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houve minutos em que nos silenciámos como gabinetes médicos depois de uma intervenção que corre mal,
saímos e o mapa apontava direções de saudade, um luto apertado frio, rios com as quedas iniciadas no nosso sufoco.
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o algarve tem ar de deserto, tu que aqui vives sabes que respirar abafa com línguas de babel em fúria.
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era assim que se abandonava a inocência da figura à janela, paisagens para dentro de casa, irrespiráveis .
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oh, mas a nossa ecografia sempre foi inatingível, como um corredor que nos digere inconscientes,
febris pelo mundo, onde veios secundários são imprescindíveis à dinâmica da dor de cabeça.
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a minha quinta tinha dez metros e dias enterrados perto de uma árvore.


                                                                                     Para o Bruno.


Rute Castro